sexta-feira, 1 de abril de 2016

Sobre o tempo e as mudanças...


As vezes dedicamos anos a construir algo que nos conforte e então pintamos a parede de nossa sala de amarelo, adotamos um gato ou dois, plantamos flores e cultivamos um jardim como tudo aquilo que temos e somos e criamos um mundo nosso. Um mundo como nossa característica, nosso nome, nosso cheiro... e nos acostumamos a este mundo como se ele fosse estável, nunca mudará. Nos adaptamos e nos sentimos seguro nele e por algum bom tempo tudo funciona, mas de repente: Bum! Algo inesperado, fora do nosso controle acontece e este mundo vira de ponta cabeça! Os quadros caem ao chão, a tinta escorre da parede, um gato morre e outro se esconde, as raízes das plantas do jardim se soltam do solo... por um instante tudo flutua e você flutua junto, sem saber exatamente onde irá parar, quando tocará o chão novamente. E lhe vem aquele frio na barriga, aquele medo e a vontade de colocar tudo de volta no lugar inicial... mas é inútil, e continuamos a flutuar e sendo empurrados cada vez para mais distante das coisas daquele mundo, e nos sentimos perdidos, sem cheiro, sem jeito, sem identidade... até desistirmos de lutar contra a maré e nos deixamos levar... e o vento continua a soprar, parece que nunca vai parar, e nos sentimo dentro de uma redemoinho, girando, girando, girando até ficarmos zonzo e não conseguimos focar. É tanta mudança que nossa mente não acompanha o ritmo e bate um desespero, uma angustia.... e vozes nos dizem: "fique calmo, isto vai passar. Tudo vai ficar bem...." e parece que o furacão começa a diminuir a velocidade e aos pouco vamos retomando a sanidade, aos poucos vamos aceitando e deixando o que ficou pra trás que já quase não se vê mais e começamos a enxergar a frente um novo mundo se formando... novas janelas, novas plantas, novas paredes, vida nova. Não, não da para dizer o que é melhor, o antes ou o depois, pois não é uma questão de comparação, mas de aceitação. É assim que vida é... quando nos vê confortáveis e acomodados, ela nos pega pelos pés e nos vira de ponta cabeça e nos chacoalha ate tirar todo a poeira acumulada até que consigamos enxergar a nossa superfície novamente. Não é fácil. Doe, assusta, contraria, mas também engrandece, fortalece e nos faz continuar, nos movimentar, nos faz renovar e ter esperanças novamente, e sentir vivo como que se nos dissesse: Hey, você aí, acorde! você ainda tem muito o que sorrir e chorar... muito a aprender e a ensinar... não pare agora, ainda não chegou ao fim! 



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